Toda empresa monitora rotatividade como métrica de custo. Além do impacto financeiro, a rotatividade concentrada em determinados setores ou lideranças pode levantar questões sobre a organização do trabalho — uma possibilidade que vale a pena investigar, não assumir.
O que a NR-1 exige, e o que o indicador pode sugerir
A NR-1 exige que a identificação de fatores de risco psicossocial considere a organização do trabalho de forma concreta. Turnover concentrado — um setor ou liderança com rotatividade muito acima da média da empresa — pode ser um indicador que, analisado junto com dados de avaliação de fatores psicossociais, apoia a investigação de causas que o colaborador individualmente não verbaliza ao sair. É importante não tratar essa correlação como prova isolada: turnover elevado também pode estar associado a fatores como remuneração, sazonalidade, condições do mercado de trabalho e política de contratação, entre outros.
A Lei 14.457/2022, art. 23, exige que empresas com CIPA adotem procedimentos para recebimento, acompanhamento e apuração de denúncias relacionadas a assédio sexual e outras formas de violência no trabalho, garantindo o anonimato da pessoa denunciante — o que reforça, de forma geral, a importância de a empresa tratar ativamente sinais de risco organizacional, e não apenas reagir a eles.
Tabela de conformidade: situação comum, risco e solução
Turnover é acompanhado só pelo RH/financeiro, sem relação com dados de avaliação de risco psicossocial
Possível associação entre rotatividade e fatores organizacionais passa despercebida por falta de visibilidade cruzada
Questionário de avaliação de fatores psicossociais segmentado por setor e por gestor dá à empresa uma base própria para comparar, manualmente, com os setores de maior rotatividade já acompanhados pelo RH
Motivo de saída é registrado de forma genérica, sem relação com clima ou carga de trabalho
Empresa não tem elementos próprios para avaliar se o padrão de saída guarda relação com condições organizacionais
Resultado do questionário por setor fica disponível para cruzamento manual com os dados de desligamento que a empresa já mantém, apoiando a investigação
PGR trata risco psicossocial isoladamente, sem relação com indicadores de negócio como turnover
Plano de ação sem priorização pelos setores onde múltiplos sinais convergem
Painel de indicadores do NR-1, segmentado por setor, ajuda a priorizar o plano de ação nos setores com maior percepção de risco, para comparação com os dados de rotatividade já existentes na empresa
O papel do INUGG
O módulo NR-1 do INUGG segmenta os questionários de avaliação de fatores psicossociais por setor e por gestor, dando à empresa uma base própria e contínua para comparar com os dados de rotatividade que ela já acompanha internamente. Hoje, o BI do INUGG oferece cruzamento automático entre Horas Extras × Risco Psicossocial e Absenteísmo × Risco Psicossocial — o cruzamento direto com turnover ainda não é automatizado, mas os dados segmentados por setor já dão suporte a essa análise manual.
Conclusão
Investigar se o turnover do seu setor mais crítico guarda relação com fatores de risco psicossocial pode contribuir para uma gestão preventiva mais consistente. Fale com um consultor INUGG e veja como os dados segmentados por setor funcionam na prática: conheça o módulo NR-1.
Referências consultadas
- NR-1, capítulo 1.5 — fatores de risco psicossocial, com redação dada pela Portaria MTE nº 1.419/2024
- Lei 14.457/2022, art. 23 — procedimentos de recebimento e apuração de denúncias em empresas com CIPA